O que é fluxo de caixa
É o registro das entradas e saídas de dinheiro da empresa num período. Entra o que foi de fato recebido e sai o que foi de fato pago. Não importa quando a venda foi feita ou quando a despesa foi contratada: importa quando o dinheiro passou pela conta.
É essa diferença que separa caixa de lucro. Uma venda a prazo entra no resultado do mês, mas o dinheiro só chega semanas depois. Enquanto isso, fornecedor, folha e imposto continuam vencendo.
Lucro não é caixa
Empresas não quebram por falta de lucro, quebram por falta de dinheiro em caixa. E quase sempre os sinais estavam nos números todos os meses, mas ninguém estava olhando. O fluxo de caixa é onde esses sinais aparecem.
Tipos de fluxo de caixa
- Realizado: o que já aconteceu. Serve para conferir com o extrato bancário.
- Projetado: o que vai acontecer, com base nas contas a pagar e a receber já conhecidas e nas estimativas de vendas e despesas. Serve para decidir.
- Operacional, de investimento e de financiamento: a divisão da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). Separa o caixa gerado pela operação do caixa usado em investimentos e do que veio de empréstimos ou dos sócios.
- Direto e indireto: as duas formas de montar a DFC. O direto lista recebimentos e pagamentos. O indireto parte do lucro e ajusta o que não mexeu no caixa.
Para a gestão do dia a dia, o mais útil é o projetado, montado pelo método direto.
Como fazer um fluxo de caixa projetado
- Comece pelo saldo real. Some o saldo de todas as contas bancárias e das aplicações com resgate imediato, conferido com o extrato.
- Lance tudo o que já é conhecido. Contas a pagar com vencimento, parcelas de empréstimo, folha, impostos e aluguel. Do outro lado, os recebimentos já faturados, cada um na sua data.
- Projete o que ainda não aconteceu. Vendas e despesas previstas, com base no histórico e na sazonalidade. Seja conservador nas entradas.
- Considere atraso e inadimplência. Se parte dos clientes paga atrasado, o recebimento previsto não deve cair na data do boleto.
- Olhe o saldo acumulado para 30, 60 e 90 dias. O ponto mais baixo da curva é o que importa: é ali que o caixa aperta.
- Atualize toda semana. Fluxo projetado desatualizado é pior do que nenhum, porque dá falsa segurança.
O que fazer com o fluxo projetado na mão
- Renegociar antes do vencimento, enquanto ainda há margem.
- Decidir investimento e contratação sabendo se o caixa aguenta.
- Negociar com banco e fornecedor de igual para igual, com números.
- Ajustar prazos de recebimento e de pagamento, que mexem no caixa sem mexer no faturamento. Veja como isso se liga ao capital de giro.
Planilha ou terceirização?
A planilha resolve enquanto o volume é pequeno e alguém tem disciplina para atualizar. Quando os lançamentos crescem, o problema deixa de ser a ferramenta e passa a ser o tempo de quem mantém o fluxo em dia. É nesse ponto que muitas empresas terceirizam a rotina com um BPO financeiro.
Um caso real
Uma incorporadora atendida pela OAK tinha uma projeção de caixa com déficit de R$ 11 milhões. Com o rombo identificado na projeção, a OAK reorganizou o caixa e renegociou R$ 8 milhões com os bancos, e a operação seguiu de pé.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre fluxo de caixa e DRE?
A DRE mostra o resultado, receitas menos despesas, pelo regime de competência. O fluxo de caixa mostra o dinheiro que de fato entrou e saiu. Uma empresa pode ter lucro na DRE e estar sem caixa.
Com que frequência atualizar o fluxo de caixa projetado?
No mínimo uma vez por semana. Empresas com muito movimento atualizam todos os dias.
Qual o horizonte ideal de projeção?
Pelo menos 90 dias, com detalhe semanal nas primeiras semanas, que é onde as decisões de pagamento e cobrança acontecem.